Biografia de OSVALDO BEZERRA
OSVALDO FEITOSA BEZERRA nasceu em 05/09/1933 em Limoeiro do Norte e foi registrado no Pará.
Serviu a Marinha no Rio de Janeiro de 1950 a 1962, quando se casou em Duque de
Caxias com uma jovem de 17 anos; Maria Faria. Com ela Osvaldo teve uma filha,
Maria Lúcia Faria Bezerra que morreu aos 20 anos de ataque cardíaco, deixando
como rebentão um filho e neto de Bezerra o garoto Fabrício Nazareno. Ao todo
Osvaldo tem 6 netos.
Após
liberação foi tentar a vida como cantor e compositor em Belém, onde conheceu
muitos outros cantores como Raimundo Soldado, Abílo Farias, Roberto Muller,
Eleno Julião, Adelino Nascimento e, tantos outros.
Osvaldo
Bezerra, Rei do Brega Assumido; aliás, como ele mesmo se expressa: “Sinto
elogiado quando sou reconhecido por tal cognome”. Alçou vôos no início de
carreira com a “Cachaça Amiga”, Identificou-se como “Cidadão no Brega”, começou
um romance no cabaré e fpo no cabar[e que o romance terminou e, hoje com o
“Coração Indeciso” e, já em idade provecta, ainda agrada a "Gregos e
Troianos" com o seu estilo popular. Há muito espaço para as canções ditas
bregas, tendo em vista que, quem gosta da dança estilo antigo e, porquê não
dizer romântica? Encontra no ritmo de Osvaldo a seresta ideal para uma noitada
de promessas e utopias numa bailar rodopiante e nostálgico; ou quem sabe nas
desilusões consumidas pelas traições; amores perdidos ao vento por uma entrega
total e descabida; paixões avassaladoras difíceis de se controlar quando dois
corpos se confundem numa simbiose tresloucada? Enfim: Nas canções de Bezerra
tanto se acha como se perde nos labirintos das reminiscências memoráveis de um
tempo que insistimos com eloquência que não se afaste para plagas inalcansáveis
pelo nosso desejo de lembranças e saudades. A melancolia se confunde na taça
dos prazeres vividos e perdidos num cálice de cerveja ou, num fracasso amoroso
pela não correspondência da paixão avassaladora de um amor traiiçoeiro e de uma
dose de surrapa queimando goela abaixo(cachaça ruim), que desce queimando como
uma traição recém descoberta. Queima como o aço afiado de uma navalha e, se
derrete nesta paixão não correspondida e traída. Amargura, alegria. Euforia, dor.
Uma vontade enorme de morrer e, a esperança de eternidade se misturando neste
caldo de palavras sugestivos que nos faz viajar por caminhos perdidos e
deliciosos e muitas vezes espinhosos. Osvaldo Bezerra é tudo isto e, um pouco
mais na trajetória de quem fazia dos cabarés uma opção de lazer. Osvaldo
Bezerra é a voz dos que clamam por um amor ardente e correspondido que se
derrete como neve num dia ensolarada; ou sufoca numa asfixia desiderata de um
amor alimentado com porções de momentos que se acabam numa dor sofrida da
traição... ou se locupletam em um caso desconsiderado que se transforma de
folguedos a um caso sério e durável. Tudo nas melodias de Osvaldo pode ser ou
não. É ou pode se transformar em sonhos idílicos e caprichosos... derruba ou
pode fazer levantar, destrói e também pode edificar um grande amor, só que esta
paixão, Osvaldo garante que vai partir com ele pelo guante da desencarnação;
mas que vai deixar estrago e saudades? Há sim! Isto ele garante.
Conheço
pessoalmente Osvaldo Bezerra, este ícone da música brega, com uma voz
particularmente inimitável e um jeitão paraense, embora seja seja pernambucano.
Bezerra nasceu em Pernambuco. Mas, como muitos, foi ganhar o mundo. Viveu no
Rio de Janeiro na época dos discos de 78 rotações. Conheceu Ari Barroso e
Ângela Maria em antigos programas da Rádio Tupi. Quando enviuvou, arribou para
Belém. E foi ser cantor lá pelos lados da Condor. O Bar São Jorge era um dos
redutos. Época de boemia. De amores prostitutos, luzes amortiçadas. Um dia
alguém o ouviu cantar. Convidou-o a gravar um disco. Estúdio pequeno, quatro
canais. O que não se apequenou foi a alcunha forjada. Bezerra tascou como
título do disco “Oswaldo Bezerra, o rei do brega”. Era meados dos anos 70. “O
brega é um estilo de música que eu criei para o povão - que eu chamo de classe
média”, diz. Precursor, ou epigono como queira, foi imitado por muitos, sem que
ninguém conseguisse o intento, surgindo assim outros estilos ditos bregas. Acho
necessário um documentário que resgate as origens do brega. Bezerra é um dos
autores da clássica “Dama de Vermelho”, imortalizada por Waldick Soriano. A
ideia foi bem absorvida por Reginaldo Rossi, alguns anos depois. “Garçon, por
favor, uma cerveja/Eu hoje resolvi me embriagar. “Tinha um rapaz bom que tocou
comigo, (Diz Osvaldo), acho que o nome dele era Evandro. Depois ficou famoso
como Chimbinha”, (Do CALIPSO), enquanto pede um café na feira. Outro que recebe
elogios é Aldo Sena, que mais tarde se tornaria ‘mestre da guitarrada’. Bezerra
o levou para tocar no sudeste, quando chegou a ser acompanhado nada mais nada
menos que pelos Pholhas. Em Belém, Bezerra separou da mulher "Que aprontou
comigo" me disse Bezerra e, como não queria se ver como personagem de uma
letra de brega, decidiu ir embora. Acabou batendo perna até Livramento, uma
cidadezinha distante 64 km aqui de Brumado com uma popuação de 64 mil habitantes,
na Bahia. Aqui, no sossego, decidiu abandonar a música. mas, a música já estava
encrustrada na personalidade de Osvaldo e ele retornou aos shows; que aliás não
tá nada fácil para Osvaldo Bezerra que carece de um empresário. Visto que seu
nome e o título "Rei do Brega" o antecede, Bezerra parece desconhecer
quem já foi pela vida pacata e desinteressada que leva em Livramento.
Recentemente estive em Livramento, onde vou constantemente e, sentado numa
sorveteria, alí estava "O Rei do Brega" chupando um picolé, parei o
carro e o chamei para almoçar logo à frente na cidade de Rio de Contas, ele
apenas perguntou se eu havia arrumado algum show para ele, pois estava
precisando muito. Eu disse que havia sofrido um acidente de moto, o que me
impossibilitava de agilizar qualquer tipo desta espécie, porém perguntei o
preço do cachê e me espantei na resposta pela bagatela que ele me cobrou ao
dizer: "Se for tudo livre Wagner, eu vou por..." Tá maluco Bezerra,
com pouco mais de 100 pessoas dá muito mais!. Ele com seu jeitão de
"malandro" não quis muita conversa desta vez, recusou o meu convite,
desejou-me bom passeio e disse "tem aí o meu telefone, qualquer coisa é só
ligar. Lançara neste ano 2015, coisa nova pra gente. (postarei) Aposentado,
vivia das pequenas e grandes lembranças. Até receber um telefonema da dupla
José Maria Vieira e Francisco Weyl. Os dois estão envolvidos na produção do
documentário “Brega Rota 70”, que pretende justamente resgatar o cotidiano
musical desse estilo bem ligado ao Pará. Porém a coisa tá um pouco emperrada
para Osvaldo. Entretanto, há que se refletir sobre a trajetória desse ritmo que
é também dança, estilo e comportamento social Bezerra faz parte de outro
universo. Diz que a música cantada por ele é para dançar e ouvir. “Não é essa coisa
de arrocha. Aquilo daquele menino, como é o nome dele? (fica testando nomes até
chegar em Michel Teló). Aquilo não é música não, essas coisas de duplo sentido.
Minha música é mais verdadeira, romântica”, diz. Palavra de rei.
Osvaldo grande rei
ResponderExcluirTinha o saudoso guitarrista Evandro Cordeiro (Barata), e o nome do Chimbinha (agora e com 'X', Ximbinha, é Cledivan Farias. Tenho um E-book download grátis no meu site juniorneves.com que conta parte da verdadeira história do Brega paraense desde as décadas de 70 há 2015. São 367 páginas. Abraços.
ResponderExcluirHoje, infelizmente, Osvaldo Bezerra nos deixou. Grande Osvaldo Bezerra! Deus o tenha.
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